São Paulo, Brasil – 2011“CYBERFAGIA” – Materiais: Táboa e mourão de Peroba Rosa, resistores, placas de circuito impresso, película holográfica, fios de cobre e outros.Coletivo Recicla Flores: Daniela Paiva-1977, Dennis Praça-1979, Nena Alava-1968, Thomas Goebel-1976. A série de intervenções Cyberfagia retrata o paradoxo entre o consumo de recursos naturais em prol do desenvolvimento e a busca de tecnologia para alcançar a sustentabilidade. Nesta obra o coletivo questiona o senso das prioridades humanas na vida urbana e a relação degradada do uso de recursos naturais. Buscamos ultrapassar os limites tecnológicos para vencer a barreira do tempo-humano contra o tempo-máquina, queremos fazer mais do que somos capazes, queremos chegar mais rápido a um lugar impossível de chegar fisicamente, o tempo natural não existe para nós. Nossas necessidades, desnecessária, são uma piada para o universo, nossas importâncias se transformam em lixo, nossos desejos domados pelo consumo, nossos medos acalmados quimicamente, nossas novas e velhas questões se fundem no vazio de espiritualidades modernas. O artista visionário é multitarefa, ri da condição humana, resgata, inova, transforma e muta, numa expressão que fractalisa repetindo o ciclo infinito. Ele corre atrás do próprio rabo. Todos temos dentro de nós a memória da vida em harmonia com a natureza, estamos aqui só para relembrar.
22 de set. de 2011
Escultura no MUBE
O coletivo Recicla Flores está com a escultura CYBERFAGIA no MUBE (Museu Brasileiro de Escultura). A obra fica em exposição até dia 29/setembro para, posteriormente, ser leiloada. O desenvolvimento da escultura acompanha o projeto Eco Parade, onde Eco Bases (pontos de coleta seletiva) são distribuídas pelos parques de SP.
13 de set. de 2011
Agrofloresta
O Brasil é um país tropical, e os ecossistemas presentes predominam ecossistemas florestais. A estratégia de armazenamento é a cobertura vegetal. Quanto mais massa viva, mais água é acumulada e mais massa é armazenada no sistema.
As agroflorestas são formas de manejo da terra em que espécies agrícolas e florestais são plantadas e manejadas em associação, segundo os princípios da dinâmica natural dos ecossistemas. Representam a interface entre a agricultura e a floresta, otimizam a produção através da conservação do potencial produtivo dos recursos naturais e apresentam um grande potencial para os países tropicais, ricos em biodiversidade.
Os nutrientes absorvidos pelas plantas são consumidos por nós em forma de alimentos, desta forma há um empobrecimento dos solos. Se não for feita adubação, os solos ficam fracos e cada vez produzem menos.
Já as árvores tem um sistema radicular profundo absorvendo água e nutrientes das camadas mais profundas. Elas crescem e depositam os nutrientes de volta para terra em forma de folhas, galhos, flores e frutos (biomassa), e assim acontece a ciclagem de nutrientes.
Agrofloresta é um termo novo para uma técnica antiga usada por muitos povos na floresta. Um dos povos que foram estudados pelo manejo da floresta são os índios Kaiapós. Eles faziam um manejo altamente complexo, transplantando espécies da floresta primária, secundária, capoeiras; plantavam ao longo das trilhas,em clareiras da floresta; faziam roças nos morros; remanejo de quintais; plantios associados, manejo da fauna nas capoeiras, etc.
SUCESSÃO NATURAL DAS ESPÉCIES
As florestas vivem uma eterna dinâmica onde plantas de diferentes tipos, tamanhos e idades vivem harmonicamente. A vida, a morte, o crescimento e senescência movimentam o sistema ao longo do tempo.
Quando numa floresta uma árvore caí, sua morte provoca um ambiente mais aberto onde o sol chega até o solo. Neste local, nascem plantas que estavam com suas sementes dormentes, que precisam de insolação direta para germinar. A partir do momento que estas espécies vão se desenvolvendo, vão propiciando o aparecimento de outras com ciclos mais longos. É através da estratégia de sucessão vegetal que as florestas estão sempre se auto-renovando.
Existem várias classificações das espécies, e a mais utilizada nos meios acadêmicos é a proposta por BUDOWISKI, descrita a seguir:
COLONIZADORAS: são espécies mais rústicas adaptadas a condições extremas como solos pouco férteis e muita luz. Elas criam condições para as outras espécies. São colonizadoras os capins, matos e ervas.
PIONEIRAS: são espécies vigorosas com ciclo de vida curto e crescimento rápido. Embaúbas, fumo bravo, mamona, etc.
SECUNDÁRIAS: são plantas que precisam de um pouco mais de sombra e umidade. O ciclo de vida é mais longo e elas preparam a área para espécies de vida longa. Guapiruvu, tamboril, paineira, etc.
CLIMAXES: são espécies de vida longa, mais exigentes nutricionalmente, não toleram insolação direta no estágio inicial e formam a mata primária. São as madeiras de lei: jatobá, jequitibá, juçara.
VANTAGENS
- Diversificação econômica: com uma produção diversificada, a economia não fica dependente de um só produto, permitindo que os produtores não fiquem a mercê do mercado.
- Menor incidência de pragas e doenças: a alta diversidade biológica do sistema leva a um equilíbrio, diminuindo a infestação de pragas e doenças. Isto significa a uma diminuição dos custos de manuntenção, conseqüentemente melhor qualidade e valor do produto final.
- Maior proteção do solo contra erosão: com o aumento da cobertura do solo, proteção dos mananciais.
- Uso mais eficiente dos recursos naturais: os vários estratos da vegetação aproveitam melhor a radiação solar, os diferentes tipos e profundidades dos sistemas radiculares fazem um bom uso da água e nutrientes disponíveis no solo. As culturas anuais se beneficiam com a deposição de biomassa das árvores e da mesma forma, diminuem os custos de manutenção nas entrelinhas das árvores.
- Maior produtividade: com o melhor aproveitamento dos recursos e dos espaços, ocorre uma intensificação da produção, e desta forma a produtividade total da área é maior do que os plantios em monocultivo, embora algumas vezes a produção de um único produto seja menor.
- Distribuição da mão-de-obra: devido a produção diversificada, a mão-de-obra é distribuída ao longo do ano, diminuindo ou excluindo a entressafra.
- Melhor qualidade de vida para os agricultores: com o sombreamento da agrofloresta, os agricultores tem melhor condições de trabalho. Com a produção diversificada, os produtores tem uma alimentação mais equilibrada, além do aumento da renda com a comercialização de vários produtos.
- Forma de uso permanente do solo: diminui o êxodo rural.
- Melhor qualidade ambiental: por todos estes motivos acima citados, temos uma melhor qualidade ambiental.
LIMITAÇÕES
- Forma mais complexa de uso do solo, o que exige um maior conhecimento da interação entre plantas/solos/animais
- Exige mão-de-obra mais intensiva nos primeiros anos
- Carência de informações sobre agrofloresta: maioria das pesquisas e trabalhos são direcionados para monocultivos.
Fonte: Material didático IPEMA
4 de set. de 2011
21 de jul. de 2011
O que as formigas estão dizendo
prezado chefe outro dia eu estava
conversando com uma formiga
e ela me contou
uma série de coisas que as formigas
do mundo inteiro andam ruminando
entre si
levo-as ao seu conhecimento
na esperança de que as transmita a outros
seres humanos e deixe-os bem aborrecidos
nenhum inseto gosta do ser humano
e a única razão pela qual eu o tolero
é porque você me parece ainda menos humano que os outros
eis o que as formigas estão dizendo
agora falta muito pouco
o homem fez da terra um deserto
agora falta pouco
para que o homem acabe com ela
de modo que só formigas
centopéias e escorpiões
consigam viver nela
o homem nos oprime há milhões de anos
mas ao mesmo tempo varre o chão
debaixo dos próprios pés
criando desertos desertos desertos
nós formigas nos lembramos
e temos tudo registrado
em nossa memória tribal
de quando gobi era um paraíso
fervilhando de formigas e riquezas
ideais à prosperidade humana
hoje é um deserto
lar de formigas centopéias e escorpiões
o que o homem chama de civilização
sempre resulta em desertos
o homem nunca se contenta
esgota a seiva e a gordura da terra
cada geração devora um pouco mais
do futuro com a sua ambição e luxúria
a áfrica do norte já foi um jardim
e então vieram cartago e roma
para despojar-lhe as riquezas
em seu lugar há agora o saara
ideal para formigas e centopéias
toltecas e astecas tiveram uma bela
civilização neste continente
mas devastaram de tal forma o seu
solo e a natureza
que agora só abrigam escorpiões
formigas e centopéias
e os desertos do oriente próximo
sucederam ao egito a babilônia e a assíria
e a roma a pérsia e a turquia
o escorpião sucedeu aos césares
e a formiga foi herdeira de gengis-cã
a américa já foi um paraíso
rico em rios e florestas
mas está morrendo por causa da ambição
e do dinheiro de mil pequenos reis
que cortaram toda a lenha que encontraram
e que não puderam ser contidos
e que mudaram até o clima
e roubaram as quedas das cascatas
mas agora falta pouco
muito pouco
para que seja tudo um só deserto
tão deserto quando os canions e as rochosas
os desertos estão chegando
os desertos se espraiando
as fontes e correntes ressecando
até que tudo seja um banco de areia
herdada por formigas
centopéias e escorpiões
os homens falam de dinheiro e de indústria
de crises e depressões
de finanças e economia
mas as formigas contentam-se em esperar
porque enquanto os homens falam
criam seus desertos mais depressa
belas secas e erosões
preparando os vastos desertos
para a nossa definitiva conquista
os homens não aprendem
as chuvas caem e descem os rios
carregando com elas a boa terra
porque já não há mais florestas
para aprisionar a água
na densa tessitura das raízes
falta pouco agora muito pouco
para que a terra seja estéril como a lua
e ressequida como um osso ao sol
prezado chefe passo-lhe essas informações
sem o menor temor de que a humanidade
delas tome conhecimento e se emende.
Don Marquis (1878-1937) era poeta, humorista e teatrólogo. A maioria dos seus poemas é assinado por archy, uma barata que durante à noite subia em sua máquina de escrever e pulava sobre as teclas. Esse poema foi publicado em 1927 e mais de 74 anos depois as formigas continuam conversando, cada vez mais animadas.
16 de jun. de 2011
Eco Base
A Eco Base construída pelo Coletivo Recicla Flores já está disponível no Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Parque Trianon Masp.
A obra instalada se preocupou em manter o conceito da Sustentabilidade através do reuso de materiais descartados no lixo e reciclagem.
O reaproveitamento ou reutilização de materiais consiste em transformar um determinado material já beneficiado em outro. A reciclagem é o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto, mas que demanda consumo de energia para realizar tais processos.
Para as estruturas ("paredes") usamos um dos materiais mais descartados pelas vias públicas, os PALETES (estruturas de madeira que servem para otimização do transporte de cargas). Já para a decoração da casinha usamos somente materiais reutilizados como: ripa de madeira, filtros de café usado, placas de monitor, placas de computador, placas plásticas de material refletivo, parafusos diversos e o acabamento final foi por conta de tinta natural de casca de árvore.
As placas plásticas e os parafusos são materiais provenientes do descarte de exposições de arte e cultura em geral.
| Lateral |
| Frente Eco Base |
| parte de trás |
| Lateral |
7 de jun. de 2011
Eco Base
Coletivo Recicla Flores participa da Eco Parade 2011, é um movimento de intervenção urbana que utiliza arte e solução ambiental como ferramenta para sensibilizar e engajar pessoas no correto encaminhamento do lixo que não é lixo.
Estamos na reta final da construção da Eco Base que será montado nesta quinta-feira, dia 06 de junho no Parque Trianon Masp.
Estamos na reta final da construção da Eco Base que será montado nesta quinta-feira, dia 06 de junho no Parque Trianon Masp.
![]() |
| Equipe concentrada finalizando a arte ! |
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| frente do Eco Ponto |
5 de jun. de 2011
Virada Sustentável - Programação de Domingo
Virada Sustentável
Relato do primeiro dia de atividades em Pirituba
A reunião do grupo teve início as 10:30 da manhã deste sábado (4 de Junho), na sede do Instituto Silva na Vila Mirante no bairro de Pirituba, região noroeste de São Paulo.
Estiveram presentes a equipe do Teatro Silva representados por Baal Demary, Victoria Ignacio, Carlos Ronchi, Bruno Nery e Letícia Demary, os arquitetos Alessandro Sbampato e Roberto Godoy da Oficina Ar, Daniela Paiva do coletivo Recicla Flores, Nena Alava bioconstrutora e instrutora do Instituto de Permacultura e Design de Ecovilas IPEC e Jeff Anderson do Ahh! Arte é pública.
No encontro público que contou com a participação da comunidade, foi definida a agenda sustentável das próximas ações no local.
O quê Quando
Limpeza de entulho Domingo - 5 de junho
Arte Pública Domingo -5 de junho
Limpeza do terreno Até 20 de Junho
Preparação de materiais e implantação 20 a 23 de Junho
Preparação do terreno 23 e 24 de Junho
Oficina de cúpulas geodésicas 25 de Junho
Oficina de super adobe 26 de Junho
As atividades acima dão início ao processo de socialização comunitária para a construção do EcoTeatro.
Relato do primeiro dia de atividades em Pirituba
A reunião do grupo teve início as 10:30 da manhã deste sábado (4 de Junho), na sede do Instituto Silva na Vila Mirante no bairro de Pirituba, região noroeste de São Paulo.
Estiveram presentes a equipe do Teatro Silva representados por Baal Demary, Victoria Ignacio, Carlos Ronchi, Bruno Nery e Letícia Demary, os arquitetos Alessandro Sbampato e Roberto Godoy da Oficina Ar, Daniela Paiva do coletivo Recicla Flores, Nena Alava bioconstrutora e instrutora do Instituto de Permacultura e Design de Ecovilas IPEC e Jeff Anderson do Ahh! Arte é pública.
No encontro público que contou com a participação da comunidade, foi definida a agenda sustentável das próximas ações no local.
O quê Quando
Limpeza de entulho Domingo - 5 de junho
Arte Pública Domingo -5 de junho
Limpeza do terreno Até 20 de Junho
Preparação de materiais e implantação 20 a 23 de Junho
Preparação do terreno 23 e 24 de Junho
Oficina de cúpulas geodésicas 25 de Junho
Oficina de super adobe 26 de Junho
As atividades acima dão início ao processo de socialização comunitária para a construção do EcoTeatro.
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